6.1.07

Arco-íris


Violeta abriu a janela depois do temporal. O cheiro da terra molhada prometia futuras colheitas, se futuro houvesse. Ou tempo de semeadura. Se sementes tivessem sido reais.

Roxa de saudade, seguiu com o olhar as pegadas que iam da porta ao portão, traçando um caminho sem volta.

Azul era a lágrima que lhe esquiou pelo rosto e capotou na curva dos seios, em meio às marcas azuis que o mais devasso afeto ali deixara.

Verde esperança brotava no canteiro de amor-perfeito feito erva daninha. Talvez chovesse à tarde e a chuva lavasse as marcas dos passos que foram. Apagasse a lembrança do que já não era.

Amarelou e o medo da manhã que vinha a galope, anunciando o dia vazio, arrepiou os pelos de seus braços. Sentiu frio. Era o vento. E ele balançava as cortinas, lenços em cerimônia de nunca mais.

Laranja azeda, gosto das lágrimas, suco espremido da vida de tantas noites.

Seu grito de dor contida rompeu a aurora, riscou o céu emudecendo os galos que prenunciavam a manhã, traçando um arco no céu da sua boca. Com gosto de sangue.

Vermelho.

3 Comments:

Blogger Alex Sens said...

Perfeito desfecho. Estava com saudade de vc e da tua literatura. Beijos meus!

01:30  
Blogger ro druhens said...

Obrigada, Alex, outros beijos pra vc.

17:44  
Blogger Márcio said...

Que beleza, chefa. Senti o gosto agora!

00:52  

Postar um comentário

<< Home