Arco-íris

Violeta abriu a janela depois do temporal. O cheiro da terra molhada prometia futuras colheitas, se futuro houvesse. Ou tempo de semeadura. Se sementes tivessem sido reais.
Roxa de saudade, seguiu com o olhar as pegadas que iam da porta ao portão, traçando um caminho sem volta.
Azul era a lágrima que lhe esquiou pelo rosto e capotou na curva dos seios, em meio às marcas azuis que o mais devasso afeto ali deixara.
Verde esperança brotava no canteiro de amor-perfeito feito erva daninha. Talvez chovesse à tarde e a chuva lavasse as marcas dos passos que foram. Apagasse a lembrança do que já não era.
Amarelou e o medo da manhã que vinha a galope, anunciando o dia vazio, arrepiou os pelos de seus braços. Sentiu frio. Era o vento. E ele balançava as cortinas, lenços em cerimônia de nunca mais.
Laranja azeda, gosto das lágrimas, suco espremido da vida de tantas noites.
Seu grito de dor contida rompeu a aurora, riscou o céu emudecendo os galos que prenunciavam a manhã, traçando um arco no céu da sua boca. Com gosto de sangue.
Vermelho.
3 Comments:
Perfeito desfecho. Estava com saudade de vc e da tua literatura. Beijos meus!
Obrigada, Alex, outros beijos pra vc.
Que beleza, chefa. Senti o gosto agora!
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