23.11.06

O nome das coisas




Acontece de repente. Batem portas e janelas, bailam as cortinas, despencam os sorrisos postos em molduras. E tudo escurece. Desaba feito catarata, inunda e alaga. Esconde a gente que se esconde da gente. Medo. Acorda o sentimento de pequinhêz e solidão. Inutilidade passiva. Saudade do sol de outro dia.
Há quem o chame de temporal de verão.

Há eu, que o chamo de a sua tristeza.

Imagem:Hugo

20.11.06

O corpo


Estranha máquina que se lubrificada pela intensidade de líquidos que nascem de seus dedos, bate descompassada ao encontro de seus desejos.
Estranha máquina que se tocada pela intesidade de seus desejos se lubrifica ao encontro de seus dedos, descompensada sendo sabor de pecado em sua língua.
Estranha máquina posta em repouso no silêncio de seu sono, acelerada na sinfonia de meus sonhos.
Estranha máquina, que a qualquer toque se recusa que não o das melodias que você, maestro dos meus desvarios, faz vibrar em acordes dissonantes.
Estranha máquina de gerar saudade, parir paixão e criar todo esse tanto amor.
E é nela que guardo e resguardo coração e buceta .
Você.