O barco e o cais

As águas turvas, que são a vida, levam o barco a ignorados destinos e apenas lavam o cais, extático, sem desejos de novos portos, exausto, tantos outros barcos atracaram.
Vezes há em que o cais esquece que o destino do barco é singrar a vida, vendavais e oceanos.
Há muitas vezes em que o cais sonha ser barco e partir em caravana. Mas, é só um sonho pois o cais sabe que seu destino é contemplar o horizonte e o do barco é ir em busca de.
Vezes há em que o barco aporta e o cais o acolhe, terno, na esperança vã de que ele fique tempo bastante pra dar ao cais a função de porto seguro.
Ele, o barco. Ela, o cais.
E gloriosos são os dias em que o sente ancorado, tão próximo, e se esquece que seu tempo de soltar as amarras, levantar âncora, há de chegar como chegam as estações.
4 Comments:
Arrepio só de imaginar estas estações... ai ai.
Me leve na viagem?
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Alguns cais deveriam virar jangada...
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